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    1 Então, havendo Jesus terminado com todas estas palavras, disse aos seus discípulos:

    2 “Sabeis que daqui a dois dias é a páscoa, e o Filho do homem há de ser entregue para ser pregado numa estaca.”*1

    1. Ou “fixado numa estaca (poste)”. Veja Ap. 5C.

    3 Nessa ocasião, os principais sacerdotes e os anciãos do povo ajuntaram-se no pátio do sumo sacerdote, que se chamava Caifás,

    4 e realizaram entre si uma consulta para se apoderarem de Jesus por meio dum ardil e o matarem.

    5 No entanto, diziam: “Não durante a festividade, para que não surja alvoroço entre o povo.”

    6 Estando Jesus em Betânia, na casa de Simão, o leproso,

    7 aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro com dispendioso óleo perfumado e começou a derramá-lo sobre a cabeça dele, enquanto ele se recostava à mesa.

    8 Vendo isso, os discípulos ficaram indignados e disseram: “Por que este desperdício?

    9 Porque isso poderia ter sido vendido por grande soma e dado aos pobres.”

    10 Percebendo isso, Jesus disse-lhes: “Por que procurais causar aflição à mulher? Pois ela fez uma ação excelente para comigo.

    11 Porque vós sempre tendes convosco os pobres, a mim, porém, nem sempre me tereis.

    12 Pois, quando esta mulher derramou este óleo perfumado sobre o meu corpo, fez isso em preparação para o meu enterro.

    13 Deveras, eu vos digo: Onde quer que se pregarem*1 estas boas novas em todo o mundo,*2 o que esta mulher fez também será contado em lembrança dela.”

    1. Ou “se proclamarem”. Gr.: ke·ry·khtheí; lat.: prae·di·cá·tum fú·e·rit. Veja Da 5:29 n.: “proclamaram”.

    2. “Mundo.” Gr.: kó·smoi; lat.: mún·do.

    14 Então um dos doze, aquele chamado Judas Iscariotes, dirigiu-se aos principais sacerdotes

    15 e disse: “O que me dareis para traí-lo a vós?” Estipularam-lhe trinta moedas de prata.

    16 De modo que daquele momento em diante ele buscava uma boa oportunidade para traí-lo.

    17 No primeiro dia dos*1 Pães não Fermentados, os discípulos vieram a Jesus, dizendo: “Onde queres que preparemos para comeres a páscoa?”

    1. Ou: “No dia antes dos.” Esta tradução da palavra gr. πρῶτος (pró·tos), seguida pelo caso genitivo da palavra seguinte, concorda com o sentido e a tradução duma construção similar em Jo 1:15, 30, a saber: “existiu antes [pró·tos] de mim”. Segundo LS, p. 1535, col. 1, “πρῶτος é [às vezes] usado onde esperaríamos πρότερος [pró·te·ros]”.

    18 Ele disse: “Ide à cidade, a fulano, e dizei-lhe: O Instrutor diz: ‘Está próximo o meu tempo designado; celebrarei a páscoa com meus discípulos na tua casa.’”

    19 E os discípulos fizeram conforme Jesus lhes mandara, e aprontaram as coisas para a páscoa.

    20 Tendo chegado a noitinha, ele estava recostado à mesa com os doze discípulos.

    21 Enquanto comiam, ele disse: “Deveras, eu vos digo: Um de vós me trairá.”

    22 Ficando muito contristados com isso, principiaram cada um a dizer-lhe: “Não sou por acaso eu, Senhor?”

    23 Em resposta, ele disse: “O que mete comigo a mão no prato fundo é o que me há de trair.

    24 Deveras, o Filho do homem vai embora, assim como está escrito a respeito dele, mas ai do homem por quem o Filho do homem está sendo traído! Teria sido melhor para ele, se esse homem não tivesse nascido.”

    25 Como resposta, Judas, que estava prestes a traí-lo, disse: “Não sou por acaso eu, Rabi?” Ele lhe disse: “Tu mesmo [o] disseste.”

    26 Ao continuarem a comer, Jesus tomou um pão, e, depois de proferir uma bênção, partiu-o, e, dando-o aos discípulos, disse: “Tomai, comei. Isto significa*1 meu corpo.”

    1. Lit.: “é”. Gr.: e·stin, no sentido de significar, importar em, representar. Veja 12:7 n.: “significa”; também 1Co 10:4 n.: “significava”.

    27 Tomou também um copo, e, tendo dado graças, deu-lho, dizendo: “Bebei dele, todos vós;

    28 pois isto significa meu ‘sangue do pacto’, que há de ser derramado em benefício de muitos, para o perdão de pecados.

    29 Eu vos digo, porém: Doravante, de modo algum beberei deste produto da videira, até o dia em que o beberei novo,*1 convosco, no reino de meu Pai.”

    1. “Novo”, isto é, o produto novo da videira.

    30 Por fim, depois de cantarem louvores,*1 saíram para o Monte das Oliveiras.

    1. Ou “depois de cantarem hinos (salmos)”. Gr.: hy·mné·san·tes; J18(hebr.): wai·yiq·re’ú ’eth·ha- hal·lél. Sem dúvida, os últimos quatro dos Salmos de Halel (115-118). Veja Sal 114:1 n.

    31 Jesus disse-lhes então: “Esta noite, todos vós tropeçareis em conexão comigo, pois está escrito: ‘Golpearei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão espalhadas.’

    32 Mas, depois de eu ter sido levantado, irei adiante de vós para a Galiléia.”

    33 Mas Pedro, em resposta, disse-lhe: “Ainda que todos os outros tropecem em conexão contigo, eu nunca tropeçarei!”

    34 Jesus disse-lhe: “Deveras, eu te digo: Esta noite, antes de cantar o galo, repudiar-me-ás três vezes.”

    35 Pedro disse-lhe: “Mesmo que eu tenha de morrer contigo, de modo algum te repudiarei.” Todos os outros discípulos disseram também a mesma coisa.

    36 Jesus chegou então com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse aos discípulos: “Sentai-vos aqui enquanto eu vou para lá orar.”

    37 E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, principiou a ficar contristado e muito aflito.

    38 Disse-lhes então: “Minha alma está profundamente contristada, até à morte. Ficai aqui e mantende-vos vigilantes comigo.”

    39 E, indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto [em terra], orando e dizendo: “Pai meu, se for possível, deixa que este copo se afaste de mim. Contudo, não como eu quero, mas como tu queres.”

    40 E ele veio aos discípulos e achou-os dormindo, e disse a Pedro: “Não pudestes vigiar comigo nem mesmo por uma hora?

    41 Mantende-vos vigilantes e orai continuamente, para que não entreis em tentação. O espírito, naturalmente, está ansioso, mas a carne é fraca.”

    42 Novamente, pela segunda vez, afastou-se e orou, dizendo: “Pai meu, se não é possível que isto se afaste de mim sem que eu o beba, realize-se a tua vontade.”

    43 E veio novamente e os encontrou dormindo, pois estavam com os olhos pesados.

    44 Portanto, deixando-os, afastou-se novamente e orou pela terceira vez, dizendo mais uma vez a mesma palavra.

    45 Veio então ter com os discípulos e disse-lhes: “Numa ocasião destas, vós estais dormindo e descansando! Eis que se tem aproximado a hora para o Filho do homem ser traído às mãos de pecadores.

    46 Levantai-vos, vamos embora. Eis que se tem aproximado aquele que me trai.”

    47 E, enquanto ainda falava, eis que veio Judas, um dos doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e cacetes, da parte dos principais sacerdotes e anciãos do povo.

    48 Ora, o que o traía havia-lhes dado um sinal, dizendo: “A quem eu beijar, este é ele; detende-o.”

    49 E, dirigindo-se diretamente a Jesus, disse: “Bom dia, Rabi!” e beijou-o mui ternamente.

    50 Mas Jesus disse-lhe: “Amigo, para que fim estás presente?” Eles avançaram então e deitaram mãos em Jesus, e detiveram-no.

    51 Mas, eis que um dos que estavam com Jesus estendeu a mão e puxou a sua espada, e, golpeando o escravo do sumo sacerdote, cortou-lhe a orelha.

    52 Jesus disse-lhe então: “Devolve a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada perecerão pela espada.

    53 Ou pensas que não posso apelar para meu Pai, para fornecer-me neste momento mais de doze legiões de anjos?

    54 Neste caso, como se cumpririam as Escrituras, de que tem de realizar-se deste modo?”

    55 Jesus disse às multidões, naquela hora: “Viestes com espadas e com cacetes, como contra um salteador, para prender-me? Dia após dia costumava eu estar sentado no templo, ensinando; contudo, vós não me detivestes.

    56 Mas tudo isso se tem realizado para que se cumprissem as escrituras dos profetas.” Todos os discípulos o abandonaram então e fugiram.

    57 Os que detiveram Jesus levaram-no a Caifás, o sumo sacerdote, onde estavam ajuntados os escribas e os anciãos.

    58 Pedro, porém, seguia-o duma boa distância, até o pátio do sumo sacerdote, e, tendo entrado, estava sentado com os criados, para ver o resultado.*1

    1. Ou “fim”. Gr.: té·los.

    59 Entrementes, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio*1 estavam procurando falso testemunho contra Jesus, para o entregarem à morte,

    1. “Sinédrio”, J17,18,22. Ou: “Supremo Tribunal.” Veja 5:22.

    60 mas não encontraram nenhum, embora se apresentassem muitas testemunhas falsas. Mais tarde, apresentaram-se dois

    61 e disseram: “Este homem disse: ‘Eu posso derrubar o templo*1 de Deus e reconstruí-lo em três dias.’”

    1. Ou “habitação (morada) divina”. Gr.: na·ón; lat.: tém·plum; J17,18,22(hebr.): heh·khál, “palácio; templo”.

    62 Em vista disso, o sumo sacerdote levantou-se e disse-lhe: “Não tens nenhuma resposta? O que é que estes testificam contra ti?”

    63 Mas Jesus ficou calado. O sumo sacerdote disse-lhe, por isso: “Pelo Deus vivente, eu te ponho sob juramento para nos dizeres se tu és o Cristo, o Filho de Deus!”

    64 Jesus disse-lhe: “Tu mesmo [o] disseste. Contudo, eu vos digo: Doravante vereis o Filho do homem sentado à destra de poder e vindo*1 nas nuvens do céu.”

    1. “Vindo.” Em grego: er·khó·me·non.

    65 O sumo sacerdote rasgou então a sua roupagem exterior, dizendo: “Ele blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Vede! Agora ouvistes a blasfêmia.

    66 Qual é a vossa opinião?” Eles deram a resposta: “Está sujeito à morte.”

    67 Cuspiram-lhe então no rosto e o esmurraram. Outros o esbofetearam,

    68 dizendo: “Profetiza-nos, ó Cristo. Quem te golpeou?”

    69 Ora, Pedro estava sentado lá fora no pátio; aproximou-se dele então uma serva, dizendo: “Tu também estavas com Jesus, o galileu!”

    70 Mas ele negou-o perante todos, dizendo: “Não sei de que falas.”

    71 Tendo saído para a portaria, foi notado por outra moça, e ela disse aos que estavam ali: “Este homem estava com Jesus, o nazareno.”

    72 E ele novamente o negou, com juramento: “Não conheço este homem!”

    73 Pouco depois, os que estavam parados ali aproximaram-se e disseram a Pedro: “Tu certamente és também um deles, pois, de fato, o teu dialeto te trai.”

    74 Ele principiou então a praguejar e a jurar: “Não conheço este homem!” E imediatamente cantou um galo.

    75 E Pedro lembrou-se da declaração de Jesus, a saber: “Antes de cantar o galo, repudiar-me-ás três vezes.” E ele saiu e chorou amargamente.