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    1 Jesus, naquele dia, tendo saído de casa, estava sentado à beira do mar;

    2 e ajuntaram-se a ele grandes multidões, de modo que entrou num barco e se assentou, e toda a multidão estava em pé na praia.

    3 Disse-lhes então muitas coisas por meio de ilustrações,*1 dizendo: “Eis que um semeador saiu a semear;

    1. Ou “em parábolas”. Gr.: en pa·ra·bo·laís; lat.: in pa·rá·bo·lis; J17,18,22(hebr.): bim·sha·lím.

    4 e, ao passo que semeava, algumas [sementes] caíram à beira da estrada, e vieram as aves e as comeram.

    5 Outras caíram em lugares pedregosos, onde não tinham muito solo, e brotaram imediatamente, por não terem profundidade de solo.

    6 Mas, ao se levantar o sol, ficaram queimadas, e, por não terem raiz, murcharam.

    7 Outras, também, caíram entre os espinhos, e os espinhos cresceram e as sufocaram.

    8 Ainda outras caíram em solo excelente e começaram a dar fruto, esta cem vezes mais, aquela sessenta vezes mais, outra trinta vezes mais.

    9 Escute aquele que tem ouvidos.”

    10 Vieram assim os seus discípulos e lhe disseram: “Por que é que lhes falas usando ilustrações?”

    11 Em resposta, ele disse: “A vós é concedido entender os segredos sagrados do reino dos céus, mas a esses não é concedido.

    12 Pois a todo aquele que tiver, dar-se-á mais e far-se-á abundar; mas a todo o que não tiver, até mesmo o que tiver será tirado dele.

    13 É por isso que lhes falo usando ilustrações, porque olhando, olham em vão, e ouvindo, ouvem em vão, nem entendem;

    14 e é neles que tem cumprimento a profecia de Isaías, que diz: ‘Ouvindo ouvireis, mas de modo algum entendereis; e olhando olhareis, mas de modo algum vereis.

    15 Pois o coração deste povo tem ficado embotado*1 e seus ouvidos têm ouvido sem reação,*2 e eles têm fechado os olhos; para que nunca vissem com os olhos, nem ouvissem com os ouvidos, nem entendessem com os corações e se voltassem, e eu os sarasse.’

    1. Lit.: “foi tornado grosso (gordo)”.

    2. Ou “de má vontade”.

    16 “No entanto, felizes são os vossos olhos porque observam, e os vossos ouvidos porque ouvem.

    17 Pois, deveras, eu vos digo: Muitos profetas e homens justos desejaram ver o que vós estais observando e não o viram, e ouvir as coisas que vós estais ouvindo e não as ouviram.

    18 “Escutai, então, a ilustração do homem que semeou.

    19 Quando alguém ouve a palavra do reino, mas não a entende, vem o iníquo e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o semeado à beira da estrada.

    20 Quanto ao semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra e a aceita imediatamente com alegria.

    21 Contudo, ele não tem raiz em si mesmo, mas continua por algum tempo, e depois de ter surgido tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo tropeça.

    22 Quanto ao semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra, mas as ansiedades deste sistema de coisas*1 e o poder enganoso das riquezas*2 sufocam a palavra, e ele*3 se torna infrutífero.

    1. Ou “ordem de coisas”. Gr.: ai·ó·nos; lat.: saé·cu·li; J17,18,22(hebr.): ha·‛oh·lám, “a ordem de coisas”.

    2. Ou “e o prazer enganoso de ser rico”.

    3. Ou “ela”, isto é, a “palavra”.

    23 Quanto ao semeado em solo excelente, este é o que ouve a palavra e a entende, que realmente dá fruto e produz, este cem vezes mais, aquele sessenta vezes mais, outro trinta vezes mais.”

    24 Apresentou-lhes outra ilustração, dizendo: “O reino dos céus tem-se tornado semelhante a um homem que semeou excelente semente no seu campo.

    25 Enquanto os homens dormiam, veio seu inimigo e semeou por cima joio*1 entre o trigo, e foi embora.

    1. Ou “cizânia”. Veja v. 36 n.

    26 Quando a lâmina cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.

    27 Vieram assim os escravos do dono de casa e disseram-lhe: ‘Amo, não semeaste excelente semente no teu campo? Donde lhe veio então o joio?’

    28 Disse-lhes ele: ‘Um inimigo, um homem, fez isso.’ Disseram-lhe: ‘Queres, pois, que vamos e o reunamos?’

    29 Ele disse: ‘Não; para que não aconteça que, ao reunirdes o joio, desarraigueis também com ele o trigo.

    30 Deixai ambos crescer juntos até a colheita; e na época da colheita direi aos ceifeiros: Reuni primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado, depois ide ajuntar o trigo ao meu celeiro.’”

    31 Apresentou-lhes outra ilustração, dizendo: “O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e plantou no seu campo;

    32 o qual, de fato, é a menor de todas as sementes, mas, quando desenvolvida, é a maior das hortaliças e se torna uma árvore, de modo que as aves do céu vêm e acham pousada entre os seus ramos.”

    33 Disse-lhes ainda outra ilustração: “O reino dos céus é semelhante ao fermento que certa mulher tomou e escondeu em três grandes medidas*1 de farinha, até que a massa inteira ficou levedada.”

    1. “Grandes medidas.” Ou “seás”. Gr.: sá·ta. Um seá equivalia a 7,33 l.

    34 Todas estas coisas falou Jesus às multidões por meio de ilustrações. Deveras, nada lhes falava sem ilustração;

    35 para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta, que disse: “Abrirei a boca com ilustrações, publicarei as coisas escondidas desde a fundação.”

    36 Despedindo então as multidões, entrou na casa. E vieram a ele os seus discípulos e disseram: “Explica-nos a ilustração do joio*1 no campo.”

    1. Ou “cizânia”. Gr.: zi·za·ní·on; J17,22(hebr.): zu·néh. Uma espécie das gramíneas, cujas sementes têm propriedades venenosas, supostamente provenientes dum fungo que se desenvolve nelas.

    37 Em resposta, ele disse: “O semeador da semente excelente é o Filho do homem;

    38 o campo é o mundo; quanto à semente excelente, estes são os filhos do reino; mas o joio são os filhos do iníquo,

    39 e o inimigo que o semeou é o Diabo. A colheita é a terminação*1 dum sistema de coisas*2 e os ceifeiros são os anjos.

    1. Ou “fim conjunto; fim conjugado; consumação”. Gr.: συντέλεια (syn·té·lei·a); lat.: con·sum·má·ti·o. Veja Da 12:4 n.: “fim”.

    2. Ou “duma ordem de coisas”. Gr.: ai·ó·nos; lat.: saé·cu·li; J1-14,16-18,22(hebr.): ha·‛oh·lám, “da ordem de coisas”.

    40 Portanto, assim como o joio é reunido e queimado no fogo, assim será na terminação do sistema de coisas.

    41 O Filho do homem enviará os seus anjos, e estes reunirão dentre o seu reino todas as coisas que causam tropeço e os que fazem o que é contra a lei,

    42 e lançá-los-ão na fornalha ardente. Ali é que haverá o [seu] choro e o ranger de [seus] dentes.

    43 Naquele tempo, os justos brilharão tão claramente como o sol, no reino de seu Pai. Escute aquele que tem ouvidos.

    44 “O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que certo homem achou e escondeu; e, na sua alegria, vai e vende todas as coisas que tem e compra aquele campo.

    45 “Novamente, o reino dos céus é semelhante a um comerciante viajante que buscava pérolas excelentes.

    46 Ao achar uma pérola de grande valor, foi e vendeu prontamente todas as coisas que tinha e a comprou.

    47 “Novamente, o reino dos céus é semelhante a uma rede de arrasto lançada ao mar e que apanhou [peixes] de toda espécie.

    48 Quando ela ficou cheia, arrastaram-na para a praia, e, assentando-se, reuniram os excelentes em vasos, mas os imprestáveis lançaram fora.

    49 Assim será na terminação do sistema de coisas:*1 os anjos sairão e separarão os iníquos dos justos,

    1. Veja v. 39 n.

    50 e lançá-los-ão na fornalha ardente. Ali é que haverá o [seu] choro e o ranger de [seus] dentes.

    51 “Compreendestes o sentido de todas estas coisas?” Eles lhe disseram: “Sim.”

    52 Então lhes disse: “Sendo este o caso, todo instrutor público,*1 quando ensinado a respeito do reino dos céus, é semelhante a um homem, dono de casa, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.”

    1. Ou “toda pessoa instruída”.

    53 Terminando Jesus estas ilustrações, foi dali atravessando o país.

    54 E, chegando ao seu próprio território,*1 começou a ensiná-los nas sinagogas deles, de modo que ficaram assombrados e disseram: “Onde obteve este homem tal sabedoria e tais obras poderosas?

    1. Ou “cidade”.

    55 Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama a sua mãe Maria e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?

    56 E suas irmãs, não estão todas elas aqui conosco? Onde obteve, então, este homem todas essas coisas?”

    57 De modo que começaram a tropeçar por causa dele. Mas Jesus disse-lhes: “Um profeta não passa sem honra a não ser no seu próprio território e em sua própria casa.”

    58 E não fez ali muitas obras poderosas, por terem eles falta de fé.