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    1 Ora, quando ia passando, viu um homem cego de nascença.

    2 E seus discípulos perguntaram-lhe: “Rabi, quem pecou, este homem ou os seus pais, de modo que nasceu cego?”

    3 Jesus respondeu: “Nem este homem pecou, nem os seus pais, mas foi para que as obras de Deus fossem manifestas no seu caso.

    4 Temos de fazer as obras daquele que me enviou enquanto é dia; vem a noite em que nenhum homem pode trabalhar.

    5 Enquanto eu estiver no mundo, sou a luz do mundo.”

    6 Depois de dizer estas coisas, cuspiu no chão e fez barro com a saliva, e pôs este barro sobre os olhos [do homem]

    7 e lhe disse: “Vai lavar-te no reservatório de água de Siloé”*1 (que é traduzido ‘Enviado’). E ele foi então e lavou-se, e voltou vendo.

    1. “Siloé”, אAB; J7-14,16-19,22: “Siloá”. Veja Is 8:6 na LXX.

    8 Portanto, os vizinhos e os que anteriormente costumavam ver que ele era mendigo, começaram a dizer: “Não é este o homem que costumava estar sentado e mendigar?”

    9 Alguns diziam: “É ele.” Outros diziam: “Absolutamente não, mas é semelhante a ele.” O homem dizia: “Sou eu.”

    10 Conseqüentemente, começaram a dizer-lhe: “Como é que foram abertos os teus olhos?”

    11 Ele respondeu: “O homem chamado Jesus fez barro e untou-me os olhos [com ele], e disse-me: ‘Vai a Siloé e lava-te.’ Portanto, fui e lavei-me, e recebi visão.”

    12 A isto disseram-lhe: “Onde está esse [homem]?” Ele disse: “Não sei.”

    13 Conduziram aos fariseus o próprio homem anteriormente cego.

    14 Incidentalmente, era sábado o dia em que Jesus fizera o barro e lhe abrira os olhos.

    15 Esta vez, portanto, os fariseus também começaram a perguntar-lhe como recebera visão. Disse-lhes ele: “Ele pôs barro sobre os meus olhos, e eu me lavei e tenho vista.”

    16 Portanto, alguns dos fariseus começaram a dizer: “Este não é homem de Deus, porque não observa o sábado.” Outros começaram a dizer: “Como pode um homem, que é pecador, realizar sinais desta sorte?” De modo que havia uma divisão entre eles.

    17 Por isso, disseram novamente ao cego: “Que dizes a respeito dele, vendo que ele te abriu os olhos?” O [homem] disse: “Ele é um profeta.”

    18 No entanto, os judeus não acreditaram a respeito dele que tivesse sido cego e recebera visão, até que chamaram os pais do homem que recebera visão.

    19 E perguntaram-lhes: “É este o vosso filho que dizeis ter nascido cego? Então, como é que ele vê atualmente?”

    20 Seus pais disseram, então, em resposta: “Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego.

    21 Mas, como é que ele vê agora, ou quem lhe abriu os olhos, não sabemos. Perguntai-lhe. Ele é maior de idade. Tem de falar por si mesmo.”

    22 Seus pais diziam estas coisas porque temiam os judeus, pois os judeus já tinham chegado a um acordo de que todo o que o confessasse como Cristo fosse expulso da sinagoga.*1

    1. “Expulso da sinagoga.” Ou “excomungado”.

    23 É por isso que os pais dele disseram: “Ele é maior de idade. Interrogai-o.”

    24 Portanto, chamaram pela segunda vez o homem que tinha sido cego e disseram-lhe: “Dá glória a Deus; sabemos que este homem é pecador.”

    25 Ele, por sua vez, respondeu: “Se ele é pecador, não sei. Uma coisa sei, que, tendo eu sido cego, atualmente vejo.”

    26 Disseram-lhe, portanto: “Que te fez ele? Como abriu os teus olhos?”

    27 Respondeu-lhes ele: “Eu já vos disse, contudo, vós não escutastes. Por que quereis ouvi-lo de novo? Será que quereis também tornar-vos seus discípulos?”

    28 Em vista disso, injuriaram-no e disseram: “Tu és discípulo daquele [homem], mas nós somos discípulos de Moisés.

    29 Sabemos que Deus falou a Moisés; mas, quanto a este [homem], não sabemos donde é.”

    30 Em resposta, o homem disse-lhes: “Isto certamente é uma maravilha, que não sabeis donde ele é, e, contudo, ele abriu os meus olhos.

    31 Sabemos que Deus não escuta pecadores, mas, se alguém é temente a Deus e faz a sua vontade, ele escuta a este.

    32 Desde a antiguidade, nunca se ouviu [falar] que alguém abrisse os olhos de alguém que nasceu cego.

    33 Se este [homem] não fosse de Deus, não poderia fazer nada.”

    34 Em resposta, disseram-lhe: “Nasceste inteiramente em pecados, e, contudo, ensinas tu a nós?” E lançaram-no fora!

    35 Jesus ouviu que o tinham lançado fora, e, achando-o, disse-lhe: “Depositas fé no Filho do homem?”

    36 O [homem] respondeu: “E quem é ele, senhor, para que eu possa depositar fé nele?”

    37 Jesus disse-lhe: “Tu o viste, e, além disso, é ele quem está falando contigo.”

    38 Ele disse então: “Deposito fé [nele], Senhor.”*1 E prestou-lhe homenagem.

    1. Ou “Amo”.

    39 E Jesus disse: “Para [este] julgamento vim ao mundo: que os que não vêem possam ver e que os que vêem se tornem cegos.”

    40 Aqueles dos fariseus que estavam com ele ouviram estas coisas e disseram-lhe: “Será que nós também somos cegos?”

    41 Jesus disse-lhes: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas agora dizeis: ‘Nós vemos.’ Vosso pecado permanece.”