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    São João, 9

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    Notas do capítulo
    • O capítulo 9 do Evangelho de João narra a cura de um homem cego de nascença por Jesus e como isso desencadeia um grande conflito com os fariseus, que questionam a autoridade de Jesus. Além disso, o capítulo também aborda a questão do pecado e da cegueira espiritual. Seguem abaixo cinco versículos relacionados com esses temas:

    • Salmos 146:8 - "O Senhor dá vista aos cegos; o Senhor levanta os abatidos; o Senhor ama os justos." Este versículo mostra que Deus é capaz de curar a cegueira e que Ele se preocupa com os que são oprimidos e necessitados.

    • Isaías 42:7 - "Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os cativos, e do cárcere os que jazem em trevas." Neste versículo, Isaías profetiza que o Messias irá curar os cegos e libertar os cativos.

    • Mateus 23:24 - "Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!" Jesus usa essa frase para criticar os fariseus que se preocupavam com as pequenas coisas, mas ignoravam os grandes problemas de sua época, como a opressão dos pobres.

    • João 3:19 - "E a condenação é esta: a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más." Este versículo mostra que a razão pela qual as pessoas permanecem em sua cegueira espiritual é porque preferem o pecado e rejeitam a verdade.

    • João 12:40 - "Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure." Este versículo é uma citação de Isaías 6:10 e mostra como a cegueira espiritual pode ser um julgamento divino sobre aqueles que rejeitam a mensagem de Deus.

    1 Caminhando, viu Jesus um cego de nascença.

    2 Os seus discípulos indagaram dele: “Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?”.

    3 Jesus respondeu: “Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus.*1

    4 Enquanto for dia, cumpre-me terminar as obras daquele que me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar.

    5 Por isso, enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.

    6 Dito isso, cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e com o lodo ungiu os olhos do cego.

    7 Depois lhe disse: “Vai, lava-te na piscina de Siloé” (esta palavra significa emissário). O cego foi, lavou-se e voltou vendo.

    8 Então, os vizinhos e aqueles que antes o tinham visto mendigar, perguntavam: “Não é este aquele que, sentado, mendigava?”.

    9 Respondiam alguns: “É ele”. Outros contestavam: “De nenhum modo, é um parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo”.

    10 Perguntaram-lhe, então: “Como te foram abertos os olhos?”.

    11 Respondeu ele: “Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo”.

    12 Interrogaram-no: “Onde está esse homem?”. Respondeu: “Não o sei”.

    13 Levaram então o que fora cego aos fariseus.

    14 Ora, era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.

    15 Os fariseus indagaram dele novamente de que modo ficara vendo. Respondeu-lhes: “Pôs-me lodo nos olhos, lavei-me e vejo”.

    16 Diziam alguns dos fariseus: “Este homem não é o enviado de Deus, pois não guarda o sábado.” Outros replicavam: “Como pode um pecador fazer tais prodígios?”. E havia desacordo entre eles.

    17 Perguntaram ainda ao cego: “Que dizes tu daquele que te abriu os olhos?” – “É um profeta” – respondeu ele.*1

    18 Mas os judeus não quiseram admitir que aquele homem tivesse sido cego e que tivesse recobrado a vista, até que chamaram seus pais.

    19 E os interrogaram: “É este o vosso filho? Afirmais que ele nasceu cego? Pois como é que agora vê?”.

    20 Seus pais responderam: “Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego.

    21 Mas não sabemos como agora ficou vendo, nem quem lhe abriu os olhos. Perguntai-o a ele. Tem idade. Que ele mesmo explique.”

    22 Seus pais disseram isso porque temiam os judeus, pois os judeus tinham ameaçado expulsar da sinagoga todo aquele que reconhecesse Jesus como o Cristo.

    23 Por isso é que seus pais responderam: “Ele tem idade, perguntai-lho”.

    24 Tornaram a chamar o homem que fora cego, dizendo-lhe: “Dá glória a Deus! Nós sabemos que este homem é pecador”.

    25 Disse-lhes ele: “Se esse homem é pecador, não o sei…​ Sei apenas isto: sendo eu antes cego, agora vejo”.

    26 Perguntaram-lhe ainda uma vez: “Que foi que ele te fez? Como te abriu os olhos?”.

    27 Respondeu-lhes: “Eu já vo-lo disse e não me destes ouvidos. Por que quereis tornar a ouvir? Quereis vós, porventura, tornar-vos também seus discípulos?…​”.

    28 Então, eles o cobriram de injúrias e lhe disseram: “Tu que és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés.

    29 Sabemos que Deus falou a Moisés, mas deste não sabemos de onde ele é”.

    30 Respondeu aquele homem: “O que é de admirar em tudo isso é que não saibais de onde ele é, e entretanto ele me abriu os olhos.

    31 Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem lhe presta culto e faz a sua vontade.

    32 Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.

    33 Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer nada”.

    34 Responderam-lhe eles: “Tu nasceste todo em pecado e nos ensinas?…​”. E expulsaram-no.

    35 Jesus soube que o tinham expulsado e, havendo-o encontrado, perguntou-lhe: “Crês no Filho do Homem?”.

    36 Respondeu ele: “Quem é ele, Senhor, para que eu creia nele?”.

    37 Disse-lhe Jesus: “Tu o vês, é o mesmo que fala contigo!”.

    38 “Creio, Senhor” – disse ele. E, prostrando-se, o adorou.

    39 Jesus então disse: “Vim a este mundo para fazer uma discriminação: os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos”.

    40 Alguns dos fariseus, que estavam com ele, ouviram-no e perguntaram-lhe: “Também nós somos, acaso, cegos?…​”.

    41 Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado, mas agora pretendeis ver, e o vosso pecado subsiste”.