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    São Marcos, 5

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    Notas do capítulo
    • Em Marcos 5, Jesus realiza vários milagres impressionantes, incluindo a cura de um homem possuído por demônios, a cura de uma mulher com hemorragia e a ressurreição da filha de um líder da sinagoga. Os temas centrais deste capítulo incluem a autoridade de Jesus sobre as forças espirituais malignas, a fé e a cura. Abaixo estão cinco versículos relacionados com esses temas:

    • Lucas 10:19: "Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo; e nada vos fará mal algum." Este versículo fala sobre a autoridade que Jesus deu aos seus seguidores sobre as forças espirituais malignas, reforçando a autoridade demonstrada por Jesus em Marcos 5.

    • Tiago 5:14-15: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados." Este versículo fala sobre a cura através da oração da fé, um tema importante em Marcos 5.

    • João 5:8-9: "Jesus lhe disse: Levanta-te, toma o teu leito e anda. E logo o homem ficou são, e tomou o seu leito, e andava." Este versículo descreve a cura instantânea realizada por Jesus, semelhante às curas milagrosas que ele realiza em Marcos 5.

    • Isaías 53:5: "Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." Este versículo profético fala sobre a cura que Jesus traria através do seu sacrifício na cruz, uma cura que é vista em pequena escala em Marcos 5.

    • Efésios 2:8-9: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie." Este versículo fala sobre a importância da fé na salvação, um tema que está presente em Marcos 5 e é demonstrado na fé da mulher com hemorragia e do líder da sinagoga que pede a Jesus para curar sua filha.

    1 Passaram à outra margem do lago, ao território dos gerasenos.

    2 Assim que saíram da barca, um homem possesso do espírito imundo saiu do cemitério

    3 onde tinha seu refúgio e veio-lhe ao encontro. Não podiam atá-lo nem com cadeia, mesmo nos sepulcros,

    4 pois tinha sido ligado muitas vezes com grilhões e cadeias, mas os despedaçara e ninguém o podia subjugar.

    5 Sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras.

    6 Vendo Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, gritando em alta voz:

    7 “Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus, que não me atormentes”.

    8 É que Jesus lhe dizia: “Espírito imundo, sai deste homem!”.

    9 Perguntou-lhe Jesus: “Qual é o teu nome?”. Respondeu-lhe: “Legião é o meu nome, porque somos muitos”.

    10 E pediam-lhe com instância que não os lançasse fora daquela região.

    11 Ora, uma grande manada de porcos andava pastando ali junto do monte.

    12 E os espíritos suplicavam-lhe: “Manda-nos para os porcos, para entrarmos neles”.

    13 Jesus lhos permitiu. Então, os espíritos imundos, tendo saído, entraram nos porcos; e a manada, de uns dois mil, precipitou-se no mar, afogando-se.

    14 Fugiram os pastores e narraram o fato na cidade e pelos arredores. Então, saíram a ver o que tinha acontecido.

    15 Aproximaram-se de Jesus e viram o possesso assentado, coberto com seu manto e calmo, ele que tinha sido possuído pela Legião. E o pânico apoderou-se deles.

    16 As testemunhas do fato contaram-lhes como havia acontecido isso ao endemoninhado, e o caso dos porcos.

    17 Começaram então a rogar-lhe que se retirasse da sua região.

    18 Quando ele subia para a barca, veio o que tinha sido possesso e pediu-lhe permissão de acompanhá-lo.

    19 Jesus não o admitiu, mas disse-lhe: “Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, e como se compadeceu de ti”.

    20 Foi-se ele e começou a publicar, na Decápole, tudo o que Jesus lhe havia feito. E todos se admiravam.*1 (Mt 9,18-26 = Lc 8,40-56)

    21 Tendo Jesus navegado outra vez para a margem oposta, de novo afluiu a ele uma grande multidão. Ele se achava à beira do mar, quando

    22 um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, se apresentou e, à sua vista, lançou-se a seus pés,

    23 rogando-lhe com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem, impõe-lhe as mãos para que se salve e viva”.

    24 Jesus foi com ele e grande multidão o seguia, comprimindo-o.

    25 Ora, havia ali uma mulher que já por doze anos padecia de um fluxo de sangue.

    26 Sofrera muito nas mãos de vários médicos, gastando tudo o que possuía, sem achar nenhum alívio; pelo contrário, piorava cada vez mais.

    27 Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto.

    28 Dizia ela consigo: “Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada”.

    29 Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada.

    30 Jesus percebeu imediatamente que saíra dele uma força e, voltando-se para o povo, perguntou: “Quem tocou minhas vestes?”.

    31 Responderam-lhe os seus discípulos: “Vês que a multidão te comprime e perguntas: Quem me tocou?”.

    32 E ele olhava em derredor para ver quem o fizera.

    33 Ora, a mulher, atemorizada e trêmula, sabendo o que nela se tinha passado, veio lançar-se a seus pés e contou-lhe toda a verdade.

    34 Mas ele lhe disse: “Filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e sê curada do teu mal”.

    35 Enquanto ainda falava, chegou alguém da casa do chefe da sinagoga, anunciando: “Tua filha morreu. Para que ainda incomodas o Mestre?”.

    36 Ouvindo Jesus a notícia que era transmitida, dirigiu-se ao chefe da sinagoga: “Não temas; crê somente”.

    37 E não permitiu que ninguém o acompanhasse, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.

    38 Ao chegar à casa do chefe da sinagoga, viu o alvoroço e os que estavam chorando e fazendo grandes lamentações.

    39 Ele entrou e disse-lhes: “Por que todo esse barulho e esses choros? A menina não morreu. Ela está dormindo”.

    40 Mas riam-se dele. Contudo, tendo mandado sair todos, tomou o pai e a mãe da menina e os que levava consigo, e entrou onde a menina estava deitada.

    41 Segurou a mão da menina e disse-lhe: “Talita cumi”, que quer dizer: “Menina, ordeno-te, levanta-te!”.

    42 E imediatamente a menina se levantou e se pôs a caminhar (pois contava doze anos). Eles ficaram assombrados.

    43 Ordenou-lhes severamente que ninguém o soubesse e mandou que lhe dessem de comer. (= Mt 13,53-58 = Lc 4,16-30)