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    São João, 18

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    Notas do capítulo
    • São João 18 narra a prisão e julgamento de Jesus antes da sua crucificação. O capítulo começa com a traição de Judas Iscariotes e termina com Pedro negando Jesus três vezes. Alguns dos temas abordados incluem o sofrimento e humilhação de Jesus, a lealdade e traição dos seus discípulos, e o julgamento injusto que Jesus enfrentou.

    • Salmo 22:16 - "Pois cães me cercam; um bando de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os pés." Este salmo profético descreve detalhes da crucificação de Jesus, incluindo o fato de que as mãos e os pés dele foram traspassados.

    • Isaías 53:3 - "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso." Este verso descreve a humilhação e sofrimento que Jesus enfrentou antes de sua morte.

    • Mateus 26:56 - "Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as escrituras dos profetas. Então todos os discípulos, deixando-o, fugiram." Este verso mostra como os discípulos abandonaram Jesus quando ele foi preso, cumprindo a profecia que dizia que o pastor seria ferido e o rebanho disperso.

    • Marcos 14:61 - "Mas ele guardou silêncio e nada respondeu. Perguntaram-lhe de novo: 'És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito?'". Este verso mostra o julgamento injusto que Jesus enfrentou, com as autoridades religiosas procurando qualquer motivo para condená-lo.

    • Lucas 22:34 - "Eu te digo, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes tenhas negado que me conheces." Este verso mostra a tristeza de Jesus ao prever que Pedro o negaria três vezes, o que acontece mais tarde no capítulo 18.

    1 Tendo Jesus dito estas palavras, saiu com os seus discípulos para a outra banda da torrente do Cedron, onde havia um horto, no qual entrou com os seus discípulos.

    2 Ora Judas, o traidor, conhecia bem este lugar, porque Jesus tinha ido lá muitas vezes com seus discípulos.

    3 Tendo, pois, Judas tomado a coorte e guardas, fornecidos pelos pontífices e fariseus, foi lá com lanternas, archotes e armas.

    4 Jesus que sabia tudo o que estava para lhe acontecer, adiantou-se e disse-lhes : "A quem buscais?"

    5 Responderam-lhe; "A Jesus de Nazaré." Jesus disse-lhes; "Sou eu." Judas, que o entregava, estava lá com eles.

    6 Apenas, pois, Jesus lhes disse: "Sou eu", recuaram e caíram por terra. (ver nota)

    7 Perguntou-lhes, novamente: "A quem buscais?" Eles disseram: "A Jesus de Nazaré."

    8 Jesus respondeu: "Já vos disse que sou eu; se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes."

    9 Deste modo se cumpriu a palavra que tinha dito: "Dos que me deste, não perdi nenhum."

    10 Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela, feriu um servo do pontífice e cortou-lhe a orelha direita, Este servo chamava-se Malco.

    11 Porém, Jesus, disse a Pedro: "Mete a tua espada na bainha. Não hei-de beber o cálice que o Pai me deu?"

    12 Então a coorte, o tribuno e os guardas dos Judeus prenderam Jesus e maniataram-no.

    13 Primeiramente levaram-no a casa de Anãs, por ser sogro de Caifás, que era o pontífice daquele ano.

    14 Caifás era aquele que tinha dado aos Judeus este conselho: "Convém que um só homem morra pelo povo."

    15 Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Este discípulo, que era conhecido do pontífice, entrou com Jesus no pátio do pontífice. (ver nota)

    16 Pedro ficou fora à porta. Saiu então o outro discípulo, que era conhecido do pontífice, falou à porteira e fez entrar Pedro.

    17 Então a criada porteira disse a Pedro: "Não és tu também dos discípulos deste homem?" Ele respondeu: "Não sou."

    18 Os servos e os guardas acenderam um braseiro e aqueciam-se ao lume, porque estava frio. Pedro encontrava-se também entre eles e aquecia-se.

    19 Entretanto o pontífice interrogou Jesus sobre os seus discípulos e sobre a sua doutrina.

    20 Jesus respondeu-lhe: "Eu falei publicamente ao mundo; ensinei sempre na sinagoga e no templo, aonde concorrem todos os Judeus; nada disse em segredo.

    21 Por que me interrogas? Interroga aqueles que ouviram o que eu lhes disse; eles sabem o que tenho dito."

    22 Tendo dito isto, um dos guardas, que estavam presentes, deu uma bofetada em Jesus, dizendo: "Assim respondes ao pontífice?"

    23 Jesus respondeu-lhe: "Se falei mal, mostra o que eu disse de mal; se falei bem, por que me feres?"

    24 Anás enviou-o maniatado ao pontífice Caifás.

    25 Eslava lá Simão Pedro, aquecendo-se. Disseram-lhe: "Não és tu também dos seus discípulos?" Ele negou e respondeu: "Não sou."

    26 Disse-lhe um dos servos do pontífice, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: "Não te vi eu com ele no horto?"

    27 Pedro negou outra vez, e imediatamente cantou o galo.

    28 Levaram então Jesus da casa de Caifás ao Pretório. Era de manhã. Não entraram no Pretório para se não contaminarem, a fim de comerem a Páscoa. (ver nota)

    29 Pilatos, pois, saiu fora, para lhes falar, e disse: "Que acusação apresentais contra este homem?"

    30 Responderam; "Se não fosse um malfeitor, não o entregaríamos nas tuas mãos."

    31 Pilatos disse-lhes então: Tomai-o e julgai-o segundo a vossa lei." Mas os Judeus disseram-lhe: "Não nos é permitido matar ninguém."

    32 Para se cumprir a palavra que Jesus dissera, significando de que morte havia de morrer. (ver nota)

    33 Tornou, pois, Pilatos a entrar no Pretório, chamou Jesus e disse-lhe: "Tu és o rei dos Judeus?"

    34 Jesus respondeu: "Tu dizes isso de ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?"

    35 Pilatos respondeu:"Porventura sou judeu? A tua nação e os pontífices é que te entregaram nas minhas mãos. Que fizeste tu?"

    36 Jesus respondeu: "O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, certamente os meus ministros se haviam de esforçar para que eu não fosse entregue aos Judeus; mas o meu reino não é daqui."

    37 Pilatos disse-lhe então: "Logo, tu és rei?" Jesus respondeu: "Tu o dizes, sou rei. Nasci, vim ao mundo para dar testemunho da verdade; todo o que está pela verdade, ouve a minha voz."

    38 Pilatos disse-lhe: "O que é a verdade?" Dito isto, tornou a sair, para ir ter com os Judeus, e disse-lhes: "Não encontro nele motivo algum de condenação.

    39 Ora é costume que eu, pela Páscoa, vos solte um prisioneiro; quereis, pois, que vos solte o rei dos Judeus?"

    40 Então gritaram todos novam ente: "Não este, mas Barrabás!" Ora Barrabás era um salteador.